Resumo:
O modelo de produção agrícola disseminado pela Revolução Verde mostrou-se
ineficiente para a sociedade contemporânea por ser uma agricultura intensiva.
Diante disso, tem sido necessário a contra colonização desse saber agrícola de
produção, de modo a estabelecer um equilíbrio entre conservação e justiça
ambiental, viabilidade produtiva e econômica. Este estudo visa analisar o Sistema
Agroflorestal (SAF) com árvores nativas como uma estratégia de transição do
modelo de agricultura intensiva para uma agricultura sustentável, a partir da vivência
de um grupo de produtores de café vinculado à Cooperativa de Produtores
Orgânicos e Biodinâmicos da Chapada Diamantina que atuam nas comunidades de
Churé, no município de Seabra, Território da Chapada Diamantina-Bahia. Para isso,
discute-se os conceitos de Justiça Ambiental, Educação Ambiental Crítica, Escolas
do campo, Metodologias Ativas, Escolas decoloniais, tendo os SAF’s com árvores
nativas e práticas agroecológicas uma alternativa de produção sustentável, de
transição agroecológica e da Economia Popular e Solidária. Portanto, observou-se
que as concepções agroecológicas implantadas, a partir do processo de formação
do coletivo COOPERBIO, configura-se uma ação contracolonial, visto que contribuiu
com o processo de desarticulação da ordem padrão estabelecida pela agricultura
intensiva, para articular um sistema de produção sustentável e justo, capaz de criar
alternativas de convivências ambientais produtivas, economicamente viável e
ambientalmente sustentável.