Resumo:
Este estudo investigou a participação das mulheres no garimpo de draga em Andaraí,
Bahia, destacando como a divisão sexual do trabalho, mediada pela violência de
gênero e combinada com os impactos socioambientais da mineração, colaborou para
a invisibilidade de suas contribuições. Utilizando uma abordagem interdisciplinar que
incorporou teorias de autores como Butler, Rodrigues e Jesus, a pesquisa examinou
narrativas de trabalhadores e trabalhadoras, revelando que as mulheres,
frequentemente relegadas a funções de suporte como cozinheiras, prestadoras de
serviços e, em muitos casos, envolvidas em atividades comerciais informais,
enfrentaram condições precárias agravadas pela degradação ambiental. Os dados
indicam que a promessa de enriquecimento rápido contrasta com uma realidade de
instabilidade econômica e violência, exacerbando desafios para as mulheres, que
assumiram predominantemente o cuidado doméstico e familiar. Portanto, os
resultados sublinham a persistência de desigualdades estruturais e destacam a
necessidade de políticas que promovam igualdade de oportunidade e visibilidade no
mercado de trabalho e contribua para compreensão das dinâmicas de gênero em
contextos econômicos. O material curricular, elaborado como produto final, destinou-
se ao ensino médio e apresentou uma sequência didática baseada na história do
garimpo de draga, com foco na participação das mulheres e nos princípios de uma
educação anti-opressiva. Como recurso pedagógico, elaborou-se o documentário
“Diamantes em terras andaraienses”, com relatos de duas ex-cozinheiras do garimpo
e um garimpeiro, utilizado para fomentar reflexões em sala de aula sobre
desigualdade e opressão de gênero.