Resumo:
Este estudo tem como objetivo investigar a viabilidade de aprendizado sobre o
equilíbrio ambiental planetário com alunos do 2º ano do Ensino Fundamental (faixa
etária de 7 a 8 anos), crianças cuja etapa de desenvolvimento cognitivo têm mais
dificuldades de abstrações espaciais mais amplas. Para esta investigação planejou-se, aplicou-se e analisou-se uma sequência didática fundamentada nos Três
Momentos Pedagógicos (3MP). A pesquisa parte do problema: como incentivar a
compreensão de ações humanas que geram desequilíbrios ambientais e suas
consequências planetárias nessa faixa etária? A pesquisa foi realizada em uma escola de ensino fundamental, escolhida por sua proximidade com problemas ambientais locais, como o acúmulo de resíduos sólidos, localizada na área rural de Paranaguá/PR. A metodologia adotada foi qualitativa, envolvendo coleta e análise de dados com base em atividades práticas e interativas. Os instrumentos de coleta
incluíram desenhos, produção de cartas, diário de campo e rodas de conversa, aos
quais incidiram a análise de conteúdo bardiniana. Os resultados indicaram ampliação na percepção ambiental dos estudantes, especialmente do vocabulário e na construção de relações espaciais mais complexas, para além do concreto imediato. Concluiu-se que a educação ambiental crítica pode ser trabalhada com crianças pequenas de forma significativa, desde que mediada por metodologias ativas e contextualizadas e com uso de tecnologias e saídas de campo. A integração entre vivências concretas, linguagem acessível e problematizações consistentes permitiu que os estudantes avançassem em suas compreensões sobre as inter-relações entre sociedade e natureza. O estudo reforça a importância de estratégias pedagógicas que articulem experiências locais com reflexões globais, contribuindo para a formação de sujeitos capazes de pensar e agir de forma crítica diante dos desafios socioambientais
contemporâneos.