CESTARIAS E SABERES DO POVO BANIWA: UMA CONTRIBUIÇÃO DAS CIÊNCIAS AMBIENTAIS AO ENSINO INTERCULTURAL

JAIME LOPES
JAIME LOPES

Autor(a):

JAIME LOPES
Ano de defesa:
2021
Instituição Associada:
UFAM
Resumo:
Atuar como educador intercultural indígena requer vencer desafios, dentre os quais, a preparação e validação de materiais educacionais contextualizados e inovadores. E foi nesse sentido que propus na pesquisa elaborar uma orientação pedagógica bilingue (Baniwa e Português) para o ensino intercultural indígena com articulação interdisciplinar dos componentes curriculares do segundo ano do ensino fundamental. Para atingir o objetivo realizei pesquisa bibliográfica e documental e observações in loco para: i. sistematizar as contribuições teóricas à Educação Escolar Indígena; ii. identificar e selecionar informações sobre o arumã e arte Baniwa na confecção de cestarias e; iii. Identificar elementos de articulação intercultural e interdisciplinar dos componentes curriculares do segundo ano do ensino fundamental indígena. A pesquisa foi realizada a partir de minha experiência como educador na Escola Municipal Indígena João de Oliveira, Comunidade Areal, estrada de Camanaus, município de São Gabriel da Cachoeira, Amazonas. A Educação Escolar Indígena corresponde ao processo de produção e transmissão de conhecimento material e imaterial entre gerações a partir do cotidiano compartilhado na comunidade e na escola. Os saberes indígenas expressos no trabalho, nos rituais, na história do povo e tudo o mais que represente a cultura e o saber local podem e devem fazer parte do espaço escolar. A diversidade e riqueza do saber Baniwa sobre a planta de arumã e a produção de cestarias a partir da fibra extraída da espécie demonstrou ser um tema pertinente ao ensino intercultural e interdisciplinar indígena. Portanto, educar a partir de experiências vivenciadas pelos educandos no lugar onde vivem pode favorecer o entendimento do que acontece no dia a dia das famílias e contribuir para a valorização, a manutenção e a revitalização dos saberes e línguas indígenas. Essa aproximação da escola à realidade estimula os comentários, os questionamentos e as respostas assim como o desenvolvimento das habilidades de comunicação oral e escrita dos educandos.

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