SABERES ANCESTRAIS E SOBERANIA ALIMENTAR: PLANTAS ALIMENTÍCIAS TRADICIONAIS DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DO RIACHO DO MEL, IRAQUARA-BA

RODRIGO MORTARI
RODRIGO MORTARI

Autor(a):

RODRIGO MORTARI
Ano de defesa:
2024
Linha de Pesquisa:
Ambiente e Sociedade
Projeto Estruturante:
Comunidade, saúde e ambiente
Instituição Associada:
UEFS
Resumo:
A Comunidade Quilombola do Riacho do Mel, devido a sua relação intima com o ambiente natural, presente no seu entorno, construiu, ao longo de sua história, um vasto conhecimento sobre as plantas alimentícias tradicionais. Esse conhecimento foi, e é, muito importante para a soberania alimentar da comunidade e no próprio fortalecimento da cultura ancestral. Assim, este trabalho tem como objetivo investigar e disseminar o conhecimento das plantas alimentícias tradicionais consumidas pela comunidade, juntamente com seus saberes ancestrais. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com moradores locais, utilizando a técnica de bola de neve, onde cada pessoa entrevistada indica outra que tem conhecimento daquela informação indagada. Como resultado das entrevistas obteve-se citações de 83 etnoespécies de plantas alimentícias tradicionais, como também o conhecimento tradicional associado a elas. De todas as etnoespécies citadas, devido ao período de floração e frutificação das mesmas, até o momento, da defesa dessa dissertação, foram coletadas 56, e, algumas, foram identificadas e catalogadas no Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana HUEFS. A partir da perspectiva de uma educação contextualizada para a convivência com o semiárido, foram realizadas rodas de conversas e oficinas, tanto no Colégio Estadual Professora Maria Menezes Ribeiro (Iraquara-BA) como na Comunidade Quilombola do Riacho do Mel. Durante a realização das rodas e oficinas foram destacadas a importância do consumo e o conhecimento das plantas alimentícias tradicionais como alternativa para a soberania alimentar e conservação da flora local, como também foram apresentados as etnoespécies citadas nessa pesquisa. Além das etnoespécies citadas foi possível, através das entrevistas, identificar relevantes aspectos socioculturais, como, por exemplo; os etnoterritórios e etnosolos, singularidades identificadas nas turnês guiadas, períodos em que a comunidade passou por insegurança alimentar, o papel das mulheres mais velhas como guardiãs do conhecimento sobre as plantas alimentícias tradicionais e por fim os principais pratos e receitas ancestrais com plantas alimentícias tradicionais. Tal estudo culminou na elaboração de um livreto para divulgação científica e também na própria comunidade e em seu entorno, sobre o uso e conhecimento das plantas alimentícias tradicionais. Além disso, esse trabalho viabilizou a montagem de um herbário escolar no Colégio Estadual Professora Maria Menezes Ribeiro. Os resultados foram exitosos no processo de disseminar, de forma participativa, os saberes ancestrais das plantas alimentícias tradicionais da Comunidade Quilombola do Riacho do Mel.

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RODRIGO MORTARI
2024
Comunidades tradicionais; Educação ambiental; Etnobotânica; Semiárido.
Associada: UEFS

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