Resumo:
A Comunidade Quilombola do Riacho do Mel, devido a sua relação intima com o ambiente
natural, presente no seu entorno, construiu, ao longo de sua história, um vasto conhecimento
sobre as plantas alimentícias tradicionais. Esse conhecimento foi, e é, muito importante para a
soberania alimentar da comunidade e no próprio fortalecimento da cultura ancestral. Assim,
este trabalho tem como objetivo investigar e disseminar o conhecimento das plantas
alimentícias tradicionais consumidas pela comunidade, juntamente com seus saberes ancestrais.
Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com moradores locais, utilizando a técnica de
bola de neve, onde cada pessoa entrevistada indica outra que tem conhecimento daquela
informação indagada. Como resultado das entrevistas obteve-se citações de 83 etnoespécies de
plantas alimentícias tradicionais, como também o conhecimento tradicional associado a elas.
De todas as etnoespécies citadas, devido ao período de floração e frutificação das mesmas, até
o momento, da defesa dessa dissertação, foram coletadas 56, e, algumas, foram identificadas
e catalogadas no Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana HUEFS. A partir da
perspectiva de uma educação contextualizada para a convivência com o semiárido, foram
realizadas rodas de conversas e oficinas, tanto no Colégio Estadual Professora Maria Menezes
Ribeiro (Iraquara-BA) como na Comunidade Quilombola do Riacho do Mel. Durante a
realização das rodas e oficinas foram destacadas a importância do consumo e o conhecimento
das plantas alimentícias tradicionais como alternativa para a soberania alimentar e conservação
da flora local, como também foram apresentados as etnoespécies citadas nessa pesquisa. Além
das etnoespécies citadas foi possível, através das entrevistas, identificar relevantes aspectos
socioculturais, como, por exemplo; os etnoterritórios e etnosolos, singularidades identificadas
nas turnês guiadas, períodos em que a comunidade passou por insegurança alimentar, o papel
das mulheres mais velhas como guardiãs do conhecimento sobre as plantas alimentícias
tradicionais e por fim os principais pratos e receitas ancestrais com plantas alimentícias
tradicionais. Tal estudo culminou na elaboração de um livreto para divulgação científica e
também na própria comunidade e em seu entorno, sobre o uso e conhecimento das plantas
alimentícias tradicionais. Além disso, esse trabalho viabilizou a montagem de um herbário
escolar no Colégio Estadual Professora Maria Menezes Ribeiro. Os resultados foram exitosos
no processo de disseminar, de forma participativa, os saberes ancestrais das plantas alimentícias
tradicionais da Comunidade Quilombola do Riacho do Mel.