Resumo:
A Chapada Diamantina, particularmente o município de Piatã, vem passando por
uma série de conflitos socioambientais nos últimos anos. A expansão da atividade
mineradora de grande porte, do agronegócio e das usinas de energia eólica
carregam consigo uma lógica de apropriação territorial bastante distinta da ocupação
histórica local, gerando importantes discussões acerca do futuro na região. Diante
deste contexto, o presente trabalho teve por objetivo desenvolver ações educativas
orientadas pelos pressupostos da cartografia social, numa escola do campo, para
possibilitar aos estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual de Inúbia,
conhecer, experienciar, mapear e instrumentalizar-se para a compreensão de seus
territórios e territorialidades, levando em consideração a ancestralidade, a história, a
cultura, a ocupação territorial e a relação com a natureza das suas comunidades.
Através de uma pesquisa-ação colaborativa com a participação de 183 estudantes,
durante um período de 6 meses, foi planejada e desenvolvida uma sequência
didática com atividades – que também serviram de instrumentos/procedimentos de
produção de dados – envolvendo mapas mentais, pesquisa oral, censo escolar,
análise de filmes, elaboração da cartografia social das comunidades e as discussões
sobre problemáticas trazidas pelos conflitos socioambientais na região e a
possibilidade da expansão dessas atividades potencialmente degradantes para o
entorno do local de estudo. Os principais resultados indicaram que a sequência
didática, amparada pelos pressupostos da cartografia social, teve um importante
papel no aumento da afetividade dos estudantes por seus territórios, ampliando a
sua instrumentalização para a defesa territorial e produzindo um efeito empoderador
aos jovens da região, ao produzir um conhecimento fundamental para fortalecer sua
compreensão acerca do futuro de suas comunidades.