Resumo:
Este estudo aborda a cultura alimentar tradicional na comunidade de Riacho das Palmeiras,
Seabra–BA, que faz parte do território da Chapada Diamantina, caracterizada pela
agrobiodiversidade e saberes ancestrais. O contexto é de substituição da alimentação
tradicional, os matos de comer pela introdução hegemônica de alimentos industrializados,
ameaçando a conservação dos saberes entre gerações. A problemática é demonstrada pela
questão norteadora: como a cultura dos matos de comer pode contribuir para a valorização dos
saberes ancestrais conservação ambiental, e promover a soberania e segurança alimentar na
comunidade de Riacho das Palmeiras? Em face disto, o objetivo da pesquisa consistiu em
analisar a relação da comunidade com a cultura dos matos de comer. O estudo possui uma
natureza qualitativa,sua base teórica e metodológica está sustentada na pesquisa participante,
garantindo o protagonismo dos sujeitos. Os conceitos-chave debatidos incluem os matos de
comer, soberania e segurança alimentar, afetividade e territorialidade. O arcabouço teórico é
sustentado por autores como Freire (1987), Brandão (2006) e Thiollent (1999) que abordam
sobre a educação popular, e Kinupp e Brack sobre as plantas da agrobiodiversidade. O percurso
metodológico se desdobrou em oito etapas sequenciais, utilizando como principais
instrumentos a análise documental (atas e imagens da associação), rodas de conversa para
diagnóstico de conhecimentos e a oficina de produção de receitas, complementadas por visitas
aos quintais produtivos. Como resultados, foram constatados que os saberes ancestrais
envolvidos na culinária dos matos de comer atuam como memórias vivas de práticas
alimentares e transmissão de saberes intergeracionais, o que implica na continuidade dessas
práticas culturais como mais frequência no cotidiano da comunidade. O manejo dessas plantas
promove a conservação e recuperação de solos degradados e a manutenção da biodiversidade
local. O consumo dos matos de comer contribui para diversificação do prato com recursoslocais
reduzindo a dependência de alimentos industrializados e padronizados o que contribui para um
sistema resiliente e autônomo promovendo a soberania e segurança alimentar.