PROTAGONISMO FEMININO NAS COMUNIDADES TRADICIONAIS DE FUNDODE PASTO FRENTE AOS EMPREENDIMENTOS DE ENERGIA EÓLICA

EUNICE FRANCISCA DE ARAÚJO
EUNICE FRANCISCA DE ARAÚJO

Autor(a):

EUNICE FRANCISCA DE ARAÚJO
Ano de defesa:
2026
Orientador(a):
GISLENE MOREIRA GOMES
Co-orientador(a):
MARJORIE CSEKÖ NOLASCO
Linha de Pesquisa:
Ambiente e Sociedade
Projeto Estruturante:
Epistemologias, diversidades e formação humana
Instituição Associada:
UEFS
Resumo:
Esta pesquisa busca discutir as estratégias de defesa territorial protagonizadas pelas mulheres das/nas comunidades tradicionais de fundo de pasto, frente aos conflitos gerados a partir da inserção de projetos de energia eólica no território tradicionalmente ocupado. Serão consideradas neste estudo, as comunidades da área de abrangência da Associação Comunitária de Mangabeira e Povoados Vizinhos (ACOMPOV), situadas no município de Brotas de Macaúbas, no semiárido baiano. A pergunta que este estudo busca responder é: de que modo o protagonismo das mulheres das comunidades tradicionais de fundo de pasto se manifesta nas estratégias de resistência e defesa do território tradicionalmente ocupado diante da expansão dos projetos de energia eólica? Parte-se da hipótese de que elas constroem formas próprias de resistência, articulando práticas solidárias, saberes ancestrais e estratégias políticas de enfrentamento, construindo táticas de luta que reafirmam a inseparabilidade do corpo, território e identidade coletiva. Logo, o objetivo geral é analisar as táticas de luta e resistência construídas pelas mulheres agricultoras das comunidades de Fundo de Pasto de Brotas de Macaúbas-BA, no enfrentamento aos conflitos socioterritoriais decorrentes dos projetos de energias renováveis. A escolha metodológica será orientada pela lente qualitativa, através de metodologias participativas e processos dialógicos, que permitem discutir os elementos da pesquisa a partir de olhares de “dentro para fora” e de uma visão de mundo própria, construída com o “chão em que se pisa” e com a realidade cultural experimentada cotidianamente. Tendo como referência as contribuições de Barbier (2002), Thiollent (2011), adota-se como metodologia a pesquisa-ação, por sua capacidade de articular a produção de conhecimento com processos de transformação social. Essa abordagem permite compreender os contextos de opressão em que as mulheres são inseridas e, ao se perceberem nessas condições, são levadas a protagonizar as práticas emancipatórias de enfrentamento e defesa dos seus corpos-territórios. Nesse sentido, a pesquisa-ação entende as participantes como sujeitas produtoras de conhecimento, capazes de elaborar referências próprias e coletivas na busca de soluções para os desafios que vivenciam. Trata-se, portanto, de uma modalidade de pesquisa social com função política e transformadora, orientada para a resolução de problemas concretos e para a construção de ações que promovam mudanças nas realidades investigadas. A pesquisa evidencia que o protagonismo feminino se manifesta na organização coletiva, mediação de conflitos, vigilância territorial e construção de estratégias políticas de enfrentamento às imposições do capital. As mulheres reafirmam o território como bem comum e condição de existência coletiva, enfrentando os projetos de energia eólica de forma coletiva. Suas ações de resistência fortalecem a autonomia comunitária, mostrando que a defesa do território está intrinsecamente ligada à justiça social, aos direitos comunitários.

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