Resumo:
Esta pesquisa busca discutir as estratégias de defesa territorial protagonizadas pelas
mulheres das/nas comunidades tradicionais de fundo de pasto, frente aos conflitos
gerados a partir da inserção de projetos de energia eólica no território tradicionalmente
ocupado. Serão consideradas neste estudo, as comunidades da área de abrangência
da Associação Comunitária de Mangabeira e Povoados Vizinhos (ACOMPOV),
situadas no município de Brotas de Macaúbas, no semiárido baiano. A pergunta que
este estudo busca responder é: de que modo o protagonismo das mulheres das
comunidades tradicionais de fundo de pasto se manifesta nas estratégias de
resistência e defesa do território tradicionalmente ocupado diante da expansão dos
projetos de energia eólica? Parte-se da hipótese de que elas constroem formas
próprias de resistência, articulando práticas solidárias, saberes ancestrais e
estratégias políticas de enfrentamento, construindo táticas de luta que reafirmam a
inseparabilidade do corpo, território e identidade coletiva. Logo, o objetivo geral é
analisar as táticas de luta e resistência construídas pelas mulheres agricultoras das
comunidades de Fundo de Pasto de Brotas de Macaúbas-BA, no enfrentamento aos
conflitos socioterritoriais decorrentes dos projetos de energias renováveis. A escolha
metodológica será orientada pela lente qualitativa, através de metodologias
participativas e processos dialógicos, que permitem discutir os elementos da pesquisa
a partir de olhares de “dentro para fora” e de uma visão de mundo própria, construída
com o “chão em que se pisa” e com a realidade cultural experimentada
cotidianamente. Tendo como referência as contribuições de Barbier (2002), Thiollent
(2011), adota-se como metodologia a pesquisa-ação, por sua capacidade de articular
a produção de conhecimento com processos de transformação social. Essa
abordagem permite compreender os contextos de opressão em que as mulheres são
inseridas e, ao se perceberem nessas condições, são levadas a protagonizar as
práticas emancipatórias de enfrentamento e defesa dos seus corpos-territórios.
Nesse sentido, a pesquisa-ação entende as participantes como sujeitas produtoras de
conhecimento, capazes de elaborar referências próprias e coletivas na busca de
soluções para os desafios que vivenciam. Trata-se, portanto, de uma modalidade de
pesquisa social com função política e transformadora, orientada para a resolução de
problemas concretos e para a construção de ações que promovam mudanças nas
realidades investigadas. A pesquisa evidencia que o protagonismo feminino se
manifesta na organização coletiva, mediação de conflitos, vigilância territorial e
construção de estratégias políticas de enfrentamento às imposições do capital. As
mulheres reafirmam o território como bem comum e condição de existência coletiva,
enfrentando os projetos de energia eólica de forma coletiva. Suas ações de resistência
fortalecem a autonomia comunitária, mostrando que a defesa do território está
intrinsecamente ligada à justiça social, aos direitos comunitários.